BIM – Building Information Modeling

De uso frequente em espaços de trabalho relacionados à construção civil, as plataformas BIM geram modelos virtuais em 3D cada vez mais completos e fáceis de relacionar com a realidade.

Histórico

Menezes (2011) afirma que aplicações associadas ao BIM são datadas de mais de 30 anos, todavia a utilização do termo Building Information Modeling (BIM) é recente, possui cerca de 20 anos. Os primeiros trabalhos relacionados ao tema foram realizados na Europa, ao final da década de 1970 e início dos anos de 1980 nos Estados Unidos (COSTA, 2015; MENEZES, 2011). No Brasil a inserção do BIM ocorreu a partir do ano 2000, quando os escritórios de arquitetura começaram a dar atenção a este novo processo e a utilizar as ferramentas computacionais em suas rotinas de trabalho. Com a adoção do processo de projeto baseado no BIM, o modo de projetar, compatibilizar e de visualizar o projeto passou por mudanças, com o surgimento de novos conceitos e metodologias, saindo de documentos 2D para modelos virtuais 3D do empreendimento (COSTA, 2015; OLIVEIRA, et al., 2017).

Conceituação

O BIM tem como principal característica a troca e compartilhamento das informações a partir de parâmetros (fixos ou variáveis) inseridos no modelo a fim de aperfeiçoar a tomada de decisão pelos projetistas em fases iniciais de projeto, de modo integrado (EASTMAN et al., 2014; ARCARI et al, 2015). O intuito é diminuir os retrabalhos e possibilitar uma melhor eficiência no processo de projeto. Além da possibilidade em auxiliar a tomada de decisão, em razão de que permite a interoperabilidade das informações, a multidisciplinaridade, e a colaboração e integração entre os projetistas (KOWALTOWSKI et al., 2011).

As etapas ao longo do ciclo de vida da edificação abrangem desde a concepção do projeto, que parte do conceito inicial, passando por todas as fases da proposta, englobando a execução e a construção finalizada, bem como, a obra entregue e ocupada, ou seja, a utilização da edificação. O processo de operação e aplicação do BIM é representado pela figura abaixo:

Esquema das aplicações do BIM no ciclo de vida de uma edificação. Fonte: Adaptado de Lloyd’s Register (2017).

Eastman et al. (2014) afirmam que a tecnologia BIM possibilita a elaboração precisa de uma edificação de forma digital por meio de um modelo virtual. Assim, o modelo concebido computacionalmente possui “a geometria exata e os dados relevantes, necessários para dar suporte à construção, à fabricação e ao fornecimento de insumos necessários para a realização da construção” (EASTMAN et al., 2014, p.1). Porém, o BIM não se restringe apenas ao uso de ferramentas computacionais, estando relacionado aos aspectos de integração, colaboração, automação, interoperabilidade e multidisciplinaridade na concepção de projetos (SOUZA; AMORIM; LYRIO, 2009). Conforme descreve Maia (2016, p.41) “o BIM vai além de uma ferramenta de elaboração de projetos ou de gestão de obra. Trata-se da integração de informações provenientes de pessoas, processos e tecnologia”.

Campestrini et al. (2015, p.32) expõem que um modelo BIM é composto por diferentes modelos relacionados ao setor da construção civil (arquitetura, estruturas, planejamento, custos, etc.). E que “servem como base de dados para a modelagem da informação a ser utilizada pela equipe de projetos, para criar soluções e tomadas de decisão” (CAMPESTRINI et al., 2015, p.30). Assim, compreende-se que o modelo BIM consiste na unificação das diferentes disciplinas de projeto. “Um modelo de informações de construção (Modelo BIM) é uma representação digital multidimensional das características físicas e funcionais de uma edificação ou instalação” (CBIC, v.1, 2016, p.58).

Aplicações

Kowaltoski et al. (2011) afirmam que o BIM pode ser definido a partir de três abordagens: como ferramenta, tecnologia ou processo. Como ferramenta, pode ser relacionada a programas computacionais que dão suporte a elaboração do projeto, associada apenas ao uso de softwares BIM, considerada pelos autores uma visão muito limitada. Como tecnologia, corresponde a documentação e registro das informações de projeto, servindo como um banco de dados que subsidia a simulação da construção e operação do edifício. No entendimento do BIM como processo, é embasado no gerenciamento das informações do edifício, a partir do modelo virtual “visando à colaboração, coordenação, integração, simulação e otimização do projeto, além da construção e operação do edifício durante o seu ciclo de vida.” (KOWALTOSKI et al., 2011, p.422).

Dimensões do BIM

Smith (2014, p.3) descreve que os subconjuntos do BIM são “comumente descritos em termos de dimensões – 3D (modelo de objeto), 4D (tempo), 5D (custo), 6D (operação), 7D (sustentabilidade) e até 8D (segurança)”. Portanto, cada dimensão está relacionada ao tipo de informação inserida no modelo. Conforme menciona Campestrini et al. (2015, p.31) “Com relação às dimensões de um modelo, essas se referem a como ele está programado e, consequentemente, aos tipos de informação que serão dele retiradas”.

Modelo BIM 3D: modelo de objeto (adição da dimensão espacial ao plano)

Modelo BIM 4D: tempo (delimitação e simulação do cronograma de construção)

Modelo BIM 5D: custo (estimativas de orçamentos e representações financeiras)

Modelo BIM 6D: gestão das instalações (uso, operação e manutenção)

Modelo BIM 7D: sustentabilidade (aspectos de consumo de energia e a Avaliação do Ciclo de Vida de materiais construtivos)

Modelo BIM 8D: segurança e prevenção (controle riscos)

Esquema das dimensões do BIM. Fonte: Elaborado pela autora (2018).

 

Fontes:

ARCARI, E. do A.; PEREIRA, A. T. C.; COSTACURTA JUNIOR, R.; MANSANO, I. Interoperabilidade: Um desafio para o Processo de Modelagem Parametrizada de Detalhes Arquitetônicos e sua Materialização. In: SOCIEDADE IBERO-AMERICANA DE GRÁFICA DIGITAL, 19, 2015, Florianópolis. Anais…  Blucher Design Proceeding, 2015.

CAMPESTRINI, T. F. (Org.). Entendendo o BIM, 2015. Uma visão do projeto de construção sob o foco da informação. 1ª Edição, Curitiba, Paraná, Brasil, 2015, 115p. Disponível em: < https://www.entendendobim.com.br/>. Acesso em: 14 de abril de 2017.

CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Fundamentos BIM – Parte 1: Implementação do BIM para Construtoras e Incorporadoras. Brasília: CBIC, 2016. 124 p.

COSTA, J. M. C. da. Diagnóstico da Implantação do BIM em Empresas Construtoras com foco nos Processos de Planejamento, Orçamento e Controle de Obras. 2015. 197 f. Dissertação (Mestrado em Estruturas e Construção Civil) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.

EASTMAN, C.; TEICHOLZ, P.; SACKS, R. LISTON, K. Manual de BIM: Um guia de modelagem a informação da construção para arquitetos, engenheiros, gerentes, construtores e incorporadores. (tradução: Cervantes Gonçalves Ayres Filho et al.; revisão técnica: Eduardo Toledo Santos). Porto Alegre: Bookman, 2014.

KOWALTOWSKI, D. C. C. K.; MOREIRA, D. de C.; PETRECHE, J. R. D.; FABRICIO, M. M. (orgs). O processo de projeto em arquitetura. São Paulo: Oficina de Textos, 2011.

Lloyd’s Register. Esquema das aplicações do BIM no ciclo de vida de uma edificação. Disponível em: <http://www.lr.org/en/utilities-building-assurance-schemes/building-information-modelling/are-you-bim-ready.aspx>. Acesso em: 3 de março de 2017.

MAIA, B. L. ANALISE DO FLUXO DE INFORMAÇOES NO PROCESSO DE MANUTENÇÃO PREDIAL APOIADA EM BIM: ESTUDO DE CASO EM COBERTURAS. 2016. 101 f. Dissertação (Mestrado em Construção Civil) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba.

MENEZES, G. L. B. B. de. Breve histórico de implantação da plataforma BIM. Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, v.18, n.22. 2011.

OLIVEIRA, G. A.; SOUZA, K. A.; CABRERA, T. S.; FERREIRA, S. L. CONTRIBUIÇÃO PARA COORDENAÇÃO DE PROJETOS EM BIM ATRAVÉS DO BFC. In: Simpósio Brasileiro de Tecnologia da Informação e Comunicação na Construção, 1., 2017, Fortaleza. Anais… Porto Alegre: ANTAC, 2017.

SMITH, P. BIM & the 5D Project Cost Manager. Procedia – Social and Behavioral Sciences, v. 119, p. 475 – 484, 2014.

SOUZA, L. A de; AMORIM, S. R. L.; LYRIO, A. de M. IMPACTOS DO USO DO BIM EM ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA: OPORTUNIDADES NO MERCADO IMOBILIÁRIO. Gestão & Tecnologia de Projetos. v. 4, n. 2, 2009.

 

Imagem destaque retirada de:

https://www.udemy.com/revit-2018-para-estruturas-de-edificio/

 

Elaborado por:

Roberta A Menezes L de Barros

Arquiteta e Urbanista. (UFAL)

Mestra em Arquitetura e Urbanismo (UFSC)

http://lattes.cnpq.br/0257007759429355