House Rules: an Architect’s Guide to Modern Life | Deborah Berke

“Assim como a casa, em sua essência, é universal, também é o fato de que cada pessoa ocupa a casa de maneira particular e misteriosa.”

Não sou o tipo de pessoa que compra muitos livros, porém este me chamou atenção logo de primeira.

“ Belíssimas imagens. ” pensei comigo.

“ Preciso de um guia para minha vida modernacomo arquiteto, claro! ”.

Comprei.

Pouco sabia eu que o livro me traria reflexões muito mais profundas sobre minha estética de desenho e sobre meu processo de projeto. Inverti tudo.

Fonte: Deborah Berke & Partners

Formada na Rhode Island School of Design, a arquiteta americana Deborah Berke começou sua carreira em 1982 quando fundou seu

escritório Deborah Berke & Partners, na cidade de Nova Iorque, onde desenvolve projetos autorais com uma estética distinta. Responsável

pela direção criativa, ela traduz sua visão única em cada projeto.

Entre projetos instrucionais e corporativos, Deborah desenhou mais de 100 residências ao longo dos anos.

Em julho de 2016, ela se tornou reitora da Yale School of Architecture, onde foi pr

ofessora por 29 anos, tornando-se a primeira mulher a ocupar este cargo desde a criação da Universidade.

Nascida em 1954, Deborah sempre foi fascinada por casas e em como os moradores interagiam com os espaços internos.

 

 

Foto: Chris Cooper

Na introdução do livro, a autora, e arquiteta, discorre sobre a casa nos mais diversos aspectos da arquitetura. Decidi elencar abaixo a reflexão feita logo no início do texto, a qual abre o caminho para as posteriores.

 

Segundo ela, residências unifamiliares podem parecer diferentes, porém todas têm a necessidade de satisfazer os mesmos requisitos internos básicos que existem desde o início de nossa civilização. Nenhum destes possui uma estética pré-determinada. A beleza da residência está na neutralidade do seu estilo. Ela acomoda as funções básicas do dia-a-dia e os prazeres da existência humana.

 

Nada disso estabelece a necessidade de uma cobertura plana, uma biblioteca ou garagem para dois carros. Essas escolhas refletem o conceito de uma casa (home), o qual é diferente do conceito de residência (house).

“ Considerando a neutralidade essencial da residência – e as funções básicas a que ela serve – eu sempre senti que o arquiteto opera como um “destilador” e um “alfaiate””.

Ainda segundo a autora, embora as duas profissões se refiram ao processo de fazer algo a partir do zero, elas conotam diferente ações: o alfaiate acomoda condições existentes; enquanto o destilador combina, refina e reduz para extrair os melhores resultados. Arquitetos fazem as duas coisas ao mesmo tempo, na maioria dos casos ao mesmo tempo.

Foto: Catherine Tighe

 

 

Foto: MichaelGranacki

Lançado em 2016, House Rules: an Architect’s Guide to Modern Life, documenta a beleza e a relevância da visão de Deborah Berke sobre seus projetos, elencando oito princípios-guia para delinear um projeto que seja o “santuário para a vida contemporânea”.

“ A verdade é, eu percebi ao longo de anos projetando casas que estava dizendo coisas similares para pessoas diferentes com casas diferentes em locais diferentes. Então, me parece uma boa maneira para organizar um livro, ao invés de cronologicamente, ou geograficamente ou por projeto. ”

Fonte: Deborah Berke Partners

Para cada uma das oito regras, que também organizam os capítulos do livro, a arquiteta faz uma breve explicação sobre o tema, fornece dicas com exemplos práticos e ilustra a temática através de fotografias e desenhos técnicos de seus próprios projetos.

Nestes projetos, que se repetem ao longo do livro para enfatizar tópicos diferentes, é possível observar como cada regra é levada em consideração durante o processo de projeto e como o partido da edificação toma posse das mesmas. As linhas limpas, o jogo de volumes, os materiais empregados e o respeito à paisagem tornam-se elementos fortes de seu trabalho.

  1. As linhas do terreno não definem o lugar.
  2. Qualquer material pode seduzir.
  3. Repetição eleva o comum.
  4. Circulação faz mais do que conectar.
  5. Ambientes podem ser internos, externos ou os dois.
  6. Considere todos os objetos. Exponha alguns.
  7. Conte com a tradição.
  8. Honre a vida cotidiana.

 

Fonte: Deborah Berke & Partners

Fonte: Deborah Berke & Partners

Através da leitura, é possível compreender a lógica projetual de Deborah Berke e inverter a ordem de pensamento tradicional ensinada nas escolas de arquitetura e incentivada pelo mercado imobiliário. Os projetos são simples, porém de imensa sensibilidade com o usuário.

Boa leitura!

Fonte: Deborah Berke & Partners